Jan 16 2008
Adeus, ano velho…
Ano novo, vida nova. Nada mais clichê, principalmente pela inacreditável falsidade embutida nessa frasezinha esdrúxula. Imagino que você, leitor - que deve ou ser um autoproclamado à toa ou funcionário público, o que acaba dando mais ou menos na mesma -, imagino que você tenha feito no mínimo algumas dúzias de promessas para o ano que vai nascer. Eu fiz. Todo mundo fez.
Costumo sempre prometer coisas básicas, daquelas que metade dos seus amigos gordos-viciados-doentes-e-bem-sucedidos com certeza também prometeu. Aliás, não se trata de um costume; é pura incompetência mesmo. Gastar menos dinheiro com entulhos bonitinhos e inúteis. Ponto pra mim. Ler mais. Moleza. Parar de fumar, beber menos. Coisas básicas. Tão básicas que já perdi a conta de quantos cigarros fumei desde o segundo dia do ano (o primeiro não conta porque passei 24 horas esperando um padreco aparecer e dar minha extrema unção, dado o tamanho da ressaca, dores de cabeça, estômago e afins). Então decidi deixar tudo pra lá. Foda-se o ano novo, foda-se a vida nova, fodam-se meus pulmões e fígado (nunca foram grande coisa, e aos 24 anos - 8 de porres hercúleos - não deve ter sobrado muita coisa pra contar história…).
Não sou eu quem tem que mudar de vida. Ninguém me conhece, posso ir ao supermercado comprar banana e ninguém me para na rua, me dá um autógrafo? Quem devia fazer promessas - e pior! cumpri-las - é a Xuxa. O casal Jornal Nacional. A Glória Maria. Toda essa trupe cara-dura que aparece na sua TV quase 1 mês antes da apocalíptica última-semana-do-ano pra dizer que do dia 31 pro 1º tudo vai mudar. Que você vai amanhecer magra e sem celulite. Ou sarado. Rica. Só porque se vai dormir num ano e acorda-se noutro. Loira de olhos verdes. Alta. Sem precisar fazer a barba. Nunca mais. Rá rá, agora me dá o telefone do Papai Noel.
Quem tem que fazer promessa de fim de ano é a Beth Carvalho: raspar aquele cabelo medonho que só ela tem. Credo! O Luciano Huck, que devia parar de fazer filhos ou comprar um dicionário de nomes de bebês. A Hebe decretando a compulsória. O Congresso Nacional (não, esses não, mestres que são na arte do prometi-não cumpri-e-você-que-se-foda-quietinho). Não eu, um pobre (mesmo) e mortal (dá um tempo, porra!) professor e blogueiro (vejo um sorrisinho irônico??). Não tenho que prometer nada a ninguém e muito menos a mim mesmo. Só que vou parar de prometer essas porcarias inúteis. O ano tá só começando. Mas já já é Natal de novo e tem vinho de novo, depois réveillon de novo, champanhe outra vez. Depois tem ressaca de novo de novo de novo de novo de novo…
E novas promessas furadas vindo aí. Fuchk off.
Bom ano novo. Pra quem puder ter um.
Compare Preços de: games, PS2, PS3, Nintendo, Wii, iPod no JáCotei.




Adorei a critica…poe muita gente a se perguntar se isso não é verdade mesmo. Pois todos nós sempre prometemos, por que seguimos uma cultura boba e comercial. Seguimos (todos) essa bobagem e sempre nos frustramos e nos sentimos mau. Mas não temos vergonha na cara, ouvimos as mesmas promeças, juramos de pés juntos, e acabamos repetindo absurdos.
Otimo texto Arnaldo e seja bem vindo.
Gostei bastante do comentário. É a sua cara! Um grande beijo!