Por Arnaldo Delgado
Situação atual deste colunista: acabo de acordar, ainda estou enfiado no meu pijama azul-claro-novo-e-caro-muito-caro-mesmo, pareço o Bozo com os cabelos lá nas nuvens e tento cumprir um prazo enlouquecedor que me diz que esta crônica tem que estar pronta para daqui a uns minutos. Tradução extremamente sintética: estou fudido.
Escritores dependem disso, dessa coisa chamada inspiração (ou dê o nome que você quiser) – e quando se trata de qualquer trabalho, a palavra dependência vira um sinônimo mais que perfeito pra “que puta que pariu ter que fazer isso”. Não me refiro aqui àquela inspiração dos poetas românticos, um bando de gente tosca, feia e deprimida olhando pro céu, bêbados, ó céus, dá-nos a poesia perfeita, dá-nos a inspiração para…Vamos parando por aí com essa história dor-de-cotovelo. É fato que não existe essa tal inspiração, essa quevem não se sabe de onde e nos pega pelo pé, põe de ponta-cabeça e revira os nossos bolsos procurando a idéia perfeita que tínhamos escondida e nem sabíamos. Mas a esse colunista parece mais concreto e incontestável que ninguém escreve um conto do nada, ningém decide acordar e a partir de hoje sou poeta. Me desculpem quem pensava assim – não costumo desiludir as pessoas assim, tão diretamente –, mas não é desse jeito que acontece.
Ninguém cria histórias assim, modelo big-bang (e também não me perguntem por quê alguém resolve dedicar uma vida inteira a ser contador de lorotas profissioal, a vida tem desses mistérios); é preciso ter uma imaginação bastante fértil e alguma noção da realidade – por mais precária e peculiar que seja. Escrever é um trabalho solitário: ninguém nunca bateu na minha porta perguntando posso escrever seu conto novo? Entenderam bem o quê eu disse: escrever é trabalho. Garis não ficam esperando a inspiração baixar para varrerem as ruas como se estivesse dançando O Lago dos Cisnes. Médicos não esperam ficar inspirados para fazerm usarem o bisturi com Monet usava o pincel numa cirurgia de emergência. Então, queridos e não queridos amigos leitores frequentadores detratores e todos os outros ores do mundo, a inspiração que vá pra puta que a pariu. E quem ainda pensa que escritor é um cara que bebe e vive drogado por aí, não faz a barba e adora ostentar um visual meio hippie-anacrônico e só trabalha quando tem vontade, que vá junto. Escrever é trabalhar, e muito. E se você é obrigado a andar de terno e gravata em pleno verão brasileiro, meus pêsames – o problema é só seu.
Acho que está bom. Hoje pode não ser um dia muito inspirado. Mas a manhã foi, certamente, de muito trabalho. Tô cansado já. Vou ali dar uma deitadinha.
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janeiro 24th, 2008 at 1:49 am | marluci de souza melo says:
QUE BELEZA DE FERIAS EM PROFESSOR, ADOREI A CRONICA DO ANO NOVO…SERA QUE ESTAREMOS JUNTOS NO COLEGIO AGORA EM FEVEREIRO??NAO VEJO A HORA DE COMEÇAR E PROMETO Q DESTA VEZ, PEGAREI FIRME NOS ESTUDOS….DEUS ABENÇOE VC!!!!!!!!!!!