May 23 2007
Grau de investimento
Por André Magnabosco

Chegou a hora de dificultar um pouco mais, chegou a hora de falar sobre investment grade. Esse, ao contrário dos outros assuntos abordados anteriormente, não está nos jornais televisivos diariamente. Mas, nos jornais impressos, com certeza – nunca viu não?!?!?!?!
E como, nós do Câmbio, somos muito “batutas” com vocês, vamos falar agora porque, futuramente, vocês vão se cansar de ouvir sobre isso.
Bem, vamos à explicação teórica, aos mais exigentes: o termo investment grade é um das classificações dadas por agência de classificação de riscos, como Standard & Poor´s, Moody´s e Fitch, para analisar a “saúde” de empresas e países. Investment grade é o ponto máximo que países como o Brasil e empresas como Banco do Brasil, Itaú, Unibanco, e outros, podem alcançar em um ranking elaborado por elas. No ranking dessas entidades (sim, porque o que elas dizem é encarado pelos economistas como algo sobrenatural, de tão importantes que são), chamado de “rating”, é feita uma análise de diversos aspectos de empresas e países, como participação de mercado, e nível de endividamento e vulnerabilidade com relação ao mercado internacional, entre outros.
Você ainda não ouve falar sobre investment grade por uma razão bem simples: ou porque o Brasil ainda não alcançou este nível, ou porque está na hora de limpar os ouvidos! E o Brasil ainda não o alcançou por tudo de errado que diversos governos fizeram no passado e que só agora, após oito anos de governo FHC e cinco anos de governo Lula, mudou (sim, os dois ajudaram nisso!). Com uma política econômica estável e correta, o Brasil eliminou a desconfiança de muitos investidores e hoje é considerado um país atrativo. E agora, comentam os economistas que analisam esse tipo de ranking, o Brasil deverá chegar ao investment grade entre 2008 e 2009, e aí pode ter certeza que você se cansará de ouvir falar nesse monstro que se pronuncia invéstimamgreide.
Bem, agora que você já tem toda a teoria disso, falta o mais importante, que é esclarecer de que maneira isso chegará à sua vida. Bem, a explicação é muito mais simples do que a teoria. Muitos fundos americanos e europeus, assim como outros grupos de investimento, só têm autorização para investir em países e em ações de empresas que não apresentem risco ao investimento. Para determinar quais são esses países, eles consideram justamente o ranking de Standard & Poor´s, Moody´s e Fitch e só julgam ser investimentos viáveis aqueles feitos em papéis que estejam no topo do ranking, ou seja, no investment grade.
Isso quer dizer que, quando o Brasil alcançar o investment grade, milhares de fundos que adorariam investir em nossos papéis (lembra do post de juros, da semana passada?) mas que ainda não podem, simplesmente vão abrir sorrisos e os bolsos para “invadir” o mercado nacional. Segundo previsões do Stefen Kanitz, aquele articulista da Veja (sim, eu já vi uma palestra dele!!!), esses fundos poderiam direcionar até US$ 100 bilhões para o mercado brasileiro. Agora, imaginem o que acontecerá em um país cujo PIB é de R$ 2,3228 trilhões (próximo de US$ 1 trilhão), acontecer uma avalanche de recursos externos que representarão quase 10% da economia. Não serei eu quem tentará dar essa resposta, pois nem os economistas sabem qual é. Mas aposto que, se as economias mundial e brasileira se mantiverem nas mesmas condições de clima e temperatura até lá, o dólar vai cair mais, e mais, e mais, e mais, e mais…
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